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23 de fevereiro de 2013

Entrevista com Roberta Spindler


Faz um bom tempo que não há uma entrevista com autores aqui no blog, não é? E por isso resolvi fazer uma entrevista com uma das autoras parceiras do blog. A entrevistada de hoje é a Roberta Spindler que junto com a Oriana Comesanha criaram o livro Contos de Meigan – A Fúria dos Cártagos. Espero que vocês gostem da entrevista, vamos conferi-la?

Primeiramente gostaria de dizer que o blog sente um enorme prazer em realizar esta entrevista. Agora vamos prosseguir, gostaria que você se apresentasse para os leitores que ainda não a conhecem.

Roberta Spindler: Tenho 27 anos e nasci em Belém do Pará. Sou uma nerd confessa, adoro quadrinhos, vídeo games, cinema e RPG. Escrevo desde a adolescência e sou apaixonada por literatura fantástica. Além de Contos de Meigan, publiquei contos em diversas antologias.

De onde surgiu a ideia de criar a série Contos de Meigan? Houve alguma fonte de inspiração?

Roberta Spindler: A ideia para escrever Contos de Meigan surgiu quando ainda estava no Ensino Médio. Eu e a Oriana já escrevíamos fanfictions do seriado Arquivo X juntas (nossa paixão na época), mas decidimos fazer algo de nossa autoria. Com o passar do tempo fomos tomando gosto pelos personagens e pelo mundo que estávamos criando.
As influências foram várias. Posso citar a obra de Tolkien como um todo e também a saga Fronteiras do Universo, do Philip Pullman. Alguns games ajudaram na escrita de cenas de luta e grandes batalhas.

A narrativa de Contos de Meigan – A Fúria dos Cártagos fora algo muito detalhado, a meu ver. Como foi o trabalho de desenvolvimento deste livro? Quero dizer da seguinte forma: como o livro foi escrito por duas pessoas houve uma divisão de escrita, por exemplo, Oriana escrevia um capítulo e Roberta outro, ou o livro foi escrito em conjunto?

Roberta Spindler: Como já escrevíamos fanfics juntas, o trabalho em Contos de Meigan foi algo natural. Normalmente, trabalhávamos da seguinte forma: Traçávamos o enredo em conjunto e depois delegávamos tarefas. Ao final de um capítulo, por exemplo, marcávamos uma reunião para discutir novas ideias e revisar o texto.

Neste ano ocorre o lançamento do segundo livro da série. Como está sendo a expectativa diante da opinião dos leitores relacionada ao segundo livro?

Roberta Spindler: Bom, estou na torcida para que o segundo livro, Contos de Meigan – Entre dois Mundos, saia mesmo esse ano. A expectativa é alta já que a recepção ao primeiro volume foi tão positiva. Quero que os leitores percebam a evolução na minha escrita e também na história. A Fúria dos Cártagos foi apenas uma introdução para uma trama muito mais complexa.

Antes mesmo de ler o livro Contos de Meigan eu já havia visto vários comentários positivos sobre a obra e após a leitura do livro comprovei que todos esses comentários eram realmente verdadeiros. Diante desses inúmeros comentários positivos, há o sentimento de dever cumprido relacionado ao primeiro livro da série?

Roberta Spindler: Fiquei muito feliz com o feedback positivo. É claro que me senti realizada, mas por outro lado quero que a obra alcance ainda mais leitores.

É claro que com a ideia de criar um livro, houve o surgimento dos personagens. Como foi a elaboração dos personagens?

Roberta Spindler: Cada personagem tem sua história. Para Maya, por exemplo, queria uma protagonista forte, mas com falhas. Com Keyth, desde o início, pensei numa figura que, apesar da sabedoria, seria bem-humorada e um tanto amalucada. Às vezes, pessoas conhecidas ou situações do cotidiano, ajudavam na criação de personalidades e cenas.

Caso você fosse escolher um personagem favorito do livro Contos de Meigan qual seria?

Roberta Spindler: É uma escolha difícil, mas eu gosto muito do Joen. Ele tem uma personalidade bastante explosiva e conturbada, nunca está satisfeito com o que tem. Adoro escrever sobre ele. Também tenho grande carinho por Keyth, o Sábio.

Em uma das minhas visitas à página do livro nas redes sociais vi vários desenhos dos personagens e por vezes menções relacionando o HQ, há a possibilidade de um lançamento do livro em HQ?

Roberta Spindler: Haverá uma HQ, sim. Ao todo serão sete histórias falando de cada guardião de Meigan. Não vai ser uma adaptação literal do livro, mas uma série spin-off. A primeira HQ já está pronta e falará sobre o sétimo guardião.


Por fim, agradeço a você por disponibilizar um tempo para responder a estas perguntas. Gostaria que você deixasse um recado para os leitores aqui do blog.

Roberta Spindler: Agradeço o espaço aqui no Entre Livros e Livros e espero continuar contando com o apoio do blog. São iniciativas como esta que possibilitam a divulgação da literatura nacional.


21 de agosto de 2012

[Resenha] Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos


Meigan é um mundo diferente do nosso, lá habitam seres fisicamente semelhantes a nós humanos, apenas fisicamente, esses seres possuem o poder de controlar a natureza e seus elementos, como o fogo, o ar, a terra e a água. Além desses quatros elementos que são os mais conhecidos por nós, esses seres que são chamados de magis tem o poder de controlar outros elementos, como: as sombras, o tempo e até mesmo o controle sobre o próprio corpo.

Logo de início somos apresentados a Maya Muskaf que após alguns anos na Terra resolve voltar para Meigan. Como todo o magi, Maya também possuía seus mantares (esse é o nome dado aos elementos em Meigan) e ela não estava conseguindo controlá-los, com medo de que sua antiga doença esteja retornando, este foi o motivo pelo qual foi para a Terra, ela resolve deixar as desavenças que tivera com sua mãe, uma Shyrat, principal governante do seu mundo, de lado e voltar a Katur, capital de Meigan.

Assim logo na primeira caravana que encontra, Maya embarca de volta para Katur, mas o que ela menos podia imaginar é que, ao voltar para o seu mundo junto com a caravana e com os soldados que a escoltavam, eles encontrariam destroços de um homem morto, e logo Maya percebeu que este homem era um dos cártagos, magis que traíram o povo e foram banidos para dimensões paralelas.

A presença dos cártagos no território era de extrema preocupação para Maya e a caravana, não demorou muito para que eles descobrissem que os cártagos invadiram o Solo Sagrado e derrubaram os portões de defesa, que eram protegidos por guardiões e com isso foram para Meigan.

A estrada era escura e solitária. Refletidos em suas curvas estavam os sentimentos tenebrosos que assolavam os moradores de Meigan naqueles últimos dias. O medo fazia com que seus corações escurecessem, fechados para qualquer esperança de que qualquer dias aquele conflito de eras iria terminar. A impotência diante da grande tragédia fazia com que as pessoas se sentissem vazias, sem ninguém para ajudá-las a enfrentar aquele mundo que se transformara em um lugar desaletador bem diante de seus olhos.
Pág 99

Agora, Maya possui várias interrogações em seus pensamentos: como os cártagos conseguiram invadir o Solo Sagrado e com isso Meigan? E os guardiões onde estavam durante toda essa guerra? Será que iria encontrar sua mãe?

Essas eram perguntas que lhe aflingiam e que ao longo da narrativa iremos descobrir.

Roberta Spindler e Oriana Comesanha criaram uma obra majestosa, repleta de fantasia, aventura, poder, ódio e uma pitadela de romance. Contos de Meigan – A Fúria dos Cártagos é o primeiro livro da série que promete abalar as estruturas, posso dizer isso, pois abalou a minha estrutura emocional.

Durante a estória que foi narrada sob terceira pessoa somos apresentados a Meigan e algumas de suas tikz, esse nome é dado a pequenos distritos pertencentes a ela, e também aos magis cada um com sua personalidade própria. 

A dupla de escritoras criou personagens surpreendentes, os meus favoritos foram: Keyth, o sábio, ele e suas piadinhas sem graça deram um toque a mais no livro; Iash, um professor linha dura com vários truques usando seus mantares; Sebastian, este lindo ruivo e grande protetor dos manarcus-na-farris, ou melhor, dizendo magis de fogo

Outros seres que gostaria de destacar nesta resenha e que está presente durante a estória são os guardiões, magis poderosos que protegem os sete portões, em cada portão está presente um guardião e com ele seu apoc um ser extremamente estranho e semelhante a um dragão (pela minha imaginação, sim).

Os guardiões como já havia destacado antes são seres poderosos, mas que são limitados por leis, tais como, não pode haver contato com outros magis, são obrigados a usarem máscaras que limitam a expor seu rosto além de serem limitados a terem algum sentimento. Mesmo havendo sete guardiões, a narrativa nos remete a apresentar alguns deles, focando principalmente ao guardião do sétimo portão, que de alguma forma se sente atraído por Maya e isso também ocorre com Maya. 

Havia citado logo no começo da resenha que o livro possuía romance, mas tenho que avisar que de certa forma o livro possui sim um romance, mas ele se mantém neutro durante todo o livro. Mesmo que o livro fale sobre Maya, ele não focaliza apenas nela, mas em vários outros personagens. 

Contos de Meigan – A Fúria dos Cártagos possui uma ótima diagramação além da capa que é simplesmente linda. Seus capítulos também são com ótimas medidas, não muito longos. Mesmo que muitos se assustem pela quantidade de páginas (como eu, logo que o livro chegou) a leitura flui rapidamente.

Tenho que saudar as autoras do livro pela imensa capacidade de criar uma obra como esta, digna de filme. O final da narrativa com certeza deixou todos inclusive eu com curiosidade para saber o que vai acontecer no próximo livro. O mundo criado por elas foi muito bem caracterizado não deixando o (a) leitor (a) confuso. E com toda a sinceridade Contos de Meigan foi o melhor livro lido por mim! Indico o livro a todos, sem distinção de idade.

Estava navegando na internet a procura de alguma ou algumas frases para concluir esta resenha e creio que posso ter encontrado, espero que apreciem a finalização desta resenha com a frase de Francis Bacon e Ernest Hemingway: (as frases estão por ordem dos autores, primeiro Francis e depois Ernest).

Há livros de que apenas é preciso provar, outros que têm de se devorar, outros, enfim, mas são poucos, que se tornam indispensáveis, por assim dizer, mastigar e digerir.

Todos os bons livros se parecem: são mais reais do que se tivessem acontecido de verdade.